segunda-feira, 8 de agosto de 2011

PROJETO VISITAR– UM POVO,UMA CIDADE,UMA HISTÓRIA.



   O Projeto Visitar foi criado no inicio de março de 2011 pelo Professor de HISTÓRIA  FÁBIO BATISTA PINTO como parte de uma aprendizagem baseada no conceito de revitalização,entendimento e aprendizado pela História  do Espírito santo . A criação de roteiros turísticos, o monitoramento das atividades de campo a visita realizada nos  monumentos, o envolvimento dos alunos, a preservação da memória, as pesquisas e a difusão cultural fazem parte das diversas atividades desse projeto, que se propõe a resgatar os caminhos da história.
   O objetivo maior do Projeto Visitar é promover e consolidar o conceito de memória e cidadania.
   Para isso, transforma a visitação ao patrimônio e o incentivo à cultura das comunidades locais em uma oportunidade de levar os moradores e turistas a conhecer os símbolos e bens que os povos construíram ao longo dos tempos.
   Para início das atividades do Projeto Visitar houve a necessidade de se saber quais os limites exatos dos Centros Históricos do Espírito Santo, qual sua extensão e como surgiu. Foi com esse intuito, já dentro da proposta do currículo da SEDU, que vários professores  iniciaram um debate em torno do tema.

A história
  
A história da colonização do Espírito Santo começa com a chegada do fidalgo português Vasco Fernandes Coutinho e da tripulação da nau Glória, em 1535, à capitania do Espírito Santo1. Aportando numa prainha, eles logo foram recepcionados de forma agressiva pelos nativos (conforme relatos dos portugueses colonizadores) 2 e fixaram-se, fundando,assim, a Vila do Espírito Santo.

Contudo, a investida dos indígenas contra os portugueses foi constante, o que levou o donatário a lutar para expulsá-los. Na provável data de 1537 4, chegou à capitania do Espírito Santo o fidalgo Duarte Lemos, que vivia na Bahia e ajudou o donatário nessa batalha. Em retribuição a seus esforços contra os nativos, Vasco Coutinho doou a ilha de Santo Antônio (atual ilha de Vitória) a Duarte de Lemos em 15 de junho de 1537.

   Anos mais tarde (1551) Vasco Coutinho, em prol da segurança dos habitantes da capitania, transferiu a sede da capitania para a ilha de Santo Antônio, aquela que pertencia a Duarte de Lemos e passou a se chamar Villa da Victória. Dessa maneira,iniciou-se a história da cidade de Vitória.
Seu núcleo fundacional foi estabelecido em cima de um platô com uma encosta de aproximadamente 30 metros de altura. Essa região atualmente é denominada Cidade Alta. O platô era delimitado pelo mar, pelo relevo do Maciço Central (hoje conhecido como Morro da Fonte Grande) e pelas áreas alagadiças. Todos esses elementos serviam como limitadores para o crescimento da vila.

   Nesse núcleo, instalou-se a Companhia de Jesus, representada por Afonso Brás e pelo irmão leigo Simão Gonçalves. No ano de 1551, eles deram início à construção do Colégio e Igreja São Tiago (atual Palácio Anchieta). Os jesuítas ajudaram no desenvolvimento e organização da capitania. Logo implantaram fazendas e aldeias ao longo do litoral do Espírito Santo. As fazendas destinavam-se à produção do sustento dos jesuítas e as
aldeias, à catequese dos nativos.

   Com todas essas mudanças, na parte mais antiga da cidade, conhecida como Cidade Alta, ficaram os prédios religiosos e administrativos e, na parte “nova”, a parte baixa da cidade, ficou o comércio em geral. Depois do Forte São João, existiam algumas chácaras até chegar na Fazenda Monjardim. Além da Vila Moscoso, existia a Vila Rubim e ainda seguindo o contorno da ilha, para o lado de Santo Antônio, uma área residencial . A região mais densamente habitada ia da Vila Moscoso até um pouco além do Largo da Conceição (atual Praça Costa Pereira).

   Outro governador importante no processo de melhoramento e expansão da cidade de Vitória foi Florentino Avidos (1924-1928), que deu continuidade aos trabalhos de Jerônimo Monteiro, pois, afinal, depois de seu governo foram feitas algumas obras, mas nenhuma de grande expressão.
   Então, por meio recursos advindos da economia cafeeira, Avidos (re)começou as obras e,para tal, criou a Comissão de Melhoramentos de Vitória. Em sua administração foi feito o aterro próximo ao Forte São João, melhorando o acesso a essa região. Também teve início a implantação do projeto do Novo Arrabalde (de 1896, do governo de Muniz Freire).
   Seu governo ainda registrou a realização das obras do Porto; a construção dos três primeiros galpões na região do Parque Moscoso; a construção da Ponte Florentino Avidos (chamada popularmente de Cinco Pontes), que liga a ilha de Vitória ao continente pela cidade de Vila Velha; e a abertura da larga, longa e reta Avenida Capixaba (atual Av. Jerônimo Monteiro), que modificou, inclusive, o padrão das construções que ali existiam


   E, “nesse momento, a cidade de tipologia e dimensões coloniais, de ruas estreitas e edifícios de pequeno porte começa a romper com essa linguagem” . Vitória passou a ser uma cidade moderna, centro da cultura, da economia e da administração do Estado do Espírito Santo. Ela tornou-se de fato a principal cidade do Estado, posto que disputava com a cidade de Cachoeiro de Itapemirim.

   A partir da década de 1970, o Centro de Vitória começou a sofrer um esvaziamento, com o deslocamento do contingente (comercial e populacional) para a região norte de cidade. O Centro passou por um processo de abandono e com o tempo foi se deteriorando.Na década de 1990, iniciou-se uma mobilização por parte dos órgãos governamentais em prol da Revitalização do Centro de Vitória. E parte desse intuito de revitalizar foi demonstrada na demarcação e na sinalização do Centro Histórico de Vitória. Com toda a
história e o processo sofrido pelo Centro entende-se o motivo da delimitação do Centro Histórico de Vitória compreendendo do Forte São João até a Vila Rubim.
REFERÊNCIAS

DERENZI, Luiz. Biografia de uma Ilha. 2ª Ed. Vitória, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, 1995.
KLUG, Letícia Beccalli. Vitória: sítio físico e paisagem. Vitória: EDUFES, 2009.
OLIVEIRA, José Teixeira de. História do Estado do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo: Secretaria de Estado da Cultura, 3ed, 2008.
LIMA JÚNIOR, Carlos Benevides. Baia de Vitória: aspectos históricos e culturais.
Vitória: Editora Fundação Ceciliano Abel de Almeida/UFES, 1995.
MONTEIRO, Peter Ribon. Vitória: cidade e presépio; os vazios visíveis da capital capixaba. São Paulo: Annablume: Fapesp; Vitória: Facitec, 2008.
PIVA, Izabel M. da Penha. A Santa Casa de Misericórdia de Vitória: ação da irmandade no atendimento à pobreza em Vitória – ES (1850-1889). Revista Ágora, Vitória, nº2, 2005.
Disponível em: <
http://www.ufes.br/ppghis/agora/Documentos/Revista_2_PDFs/Izabel%20Piva.pdf >.
Acesso em: 01 set. 2010.
RUBIM, Francisco Alberto. Memórias para servir à História até o ano de 1817. Lisboa: Imprensa Nevesiana, 1840.

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